Somente depois de ter andado por terras estranhas
É que pude reconhecer a beleza de minha morada.
A ausência mensura o tamanho do local perdido
Evidencia o que antes estava oculto,
por força do costume.
Olhei minha mãe como se fosse a primeira vez.
Olhei como se eu voltasse a ser criança pequena
A descobrir-lhe as feições tão maternas.
Abri o portão principal como quem abria
Um cofre que resguardava valores incomensuráveis.
As vozes de todos os dias estavam reinauguradas.
Deitei-me no colo de minha mãe como se quisesse
Realizar a proeza de ser gerado de novo.
Suas mãos sobre os meus cabelos
pareciam devolver-me
A mim mesmo.
Mãos com poder de sutura existencial...
Era como se o gesto possuísse voz,
capaz de me dizer:
Dorme meu filho, porque enquanto você dormir
Eu lhe farei de novo.
Dorme meu filho, dorme...
Este é um trecho do livro "Quem me roubou de mim?", autor Fábio de Melo, o qual eu estou lendo. E resolvi postar este pequeno trecho, pois foi a partir dele que eu começei a refletir de como é dificil viver fora de casa, fora do meio o qual fui criada.
Durante o decorrer dos dias a gente sente falta de pequenas coisas, mas há uma grande diferença entre sentir falta e ter a consciência deste sentimento...
Raquel assisti Lua Nova..
ResponderExcluirmuito bom guria.. adorei..
Legal
ResponderExcluir